3 de fev de 2016

Resenha | O Andarilho das Sombras



Harold Stonecross é um vampiro, mas a verdade é que nem sempre foi assim. Em O Andarilho das Sombras acompanhamos duas épocas diferentes de sua vida, a primeira quando ainda um homem simples, humilde e amedrontado, deixou sua família e começou a peregrinar pela Inglaterra; a segunda, quando já vampiro, passou por vários países seduzindo mulheres e espalhando morte.

“Sou Harold Stonecross, o suplício da humanidade, não um andarilho qualquer. Quem quer que esteja brincando com a sorte, vai sofrer muito – falei e minhas palavras ecoaram pelos confins do bosque.”

O livro se passa na Idade Média e esse é provavelmente o melhor cenário que se poderia imaginar para a obra e para a personalidade de Harold, o protagonista tem um pensamento questionador e se destaca a cada virar de página em uma época onde a igreja católica dominava o pensamento com todas as forças. O autor consegue retratar a época e os costumes como poucos e tem uma capacidade incrível de descrever os ambientes, poucas vezes me senti tão levada para a época do livro como com O Andarilho das Sombras, em alguns momentos é possível se imaginar com as roupas descritas, cuidando de ovelhas ou até mesmo imaginar-se como o protagonista.

Harold não nasce vampiro e tem uma história antes do inicio da sua vida imortal, por isso o leitor acaba divido quando o assunto é esse personagem, em alguns momentos ele é arrogante e apenas um demônio em busca de sangue; em outros momentos é possível sentir sua dor e se afeiçoar a ele. Harold é um dos personagens mais bem construídos que se pode encontrar por ai - sedutor, misterioso e sem piedade - mas não só ele, todos os outros personagens conseguem ser quase reais e parte disso talvez seja culpa da forma como os costumes da época são bem retratados na obra.

Personagens que merecem destaque nessa resenha, além do protagonista, são as femininas. Apesar da época escolhida para história ser uma, que sabemos, as mulheres eram desprezadas, nesse livro elas mostram uma força enorme, tem importância e são tão bem construídas quanto todos os outros.

“Ele me olhou e sorriu. Desabei de joelhos e abaixei a cabeça, sentindo calafrios e o coração bater como um tambor de guerra. Pã colocou a mão sobre a minha cabeça e eu senti uma energia sombria percorrer o meu corpo, fazendo estremecer os músculos e a alma. Os animais ao nosso redor saíram correndo como se uma força invisível os espantasse.”

Não sou grande fã de vampiros, confesso, mas Eduardo Kasse conseguiu me fazer gostar muito dos seus, a obra não poderia jamais ser comparada a um livro infanto-juvenil com muito amor e grandes dúvidas, O Andarilho das Sombras é sangrento e cruel, sem contar que tudo no livro parece ter sido muito bem pesquisado e pensado, inclusive a justificativa para a criação dos vampiros que foi provavelmente uma das melhores que já li.

Se o livro tem um ponto negativo digo que é o ritmo da leitura, mas é preciso levar em conta que a obra tem quase 400 páginas e que apesar do ritmo mais lento a leitura flui bem por ter duas histórias paralelas, afinal ao mesmo tempo acompanhamos um Harold humano e um Harold imortal.

Recomendo o livro para todos. Os fãs de vampiros vão adorar e mesmo os que não estão acostumados com livro do tema poderão aproveitar a leitura, é um livro bem escrito, bem pensado e que pode conquistar a todos os leitores.

Nota:


O Andarilho das Sombras
Eduardo Kasse | Editora Draco
378 páginas | Ano de 2012

No romance O Andarilho das Sombras, primeiro volume da série Tempos de Sangue, Eduardo M. Kasse conta uma história instigante de como escolhas e uma promessa maliciosa criaram um grande mal. Para salvar a vida de quem amava, Harold Stonecross sacrificou sua alma em um jogo de poder entre deuses decadentes e se tornou um demônio em busca de sangue.
Nesta fantasia sombria, entre lendas esquecidas, dogmas e mitos, Harold narra passagens de sua longa existência, repletas de conexões com tempos imemoriais, enquanto caminha pelas ruelas escuras e imundas da Europa da Idade das Trevas.
Sedutor e fatal, Harold fez do mundo o seu palco. Em sua atuação, a História escrita pelos homens confunde-se com as histórias de terror contadas pelos mais velhos. Nobres, sacerdotes, homens comuns, não importa: sempre haverá um rastro de sangue após as cortinas baixarem.


E essa foi a resenha de hoje, espero que tenham gostado e que leiam o livro, porque garanto que vão adorar. Nos acompanhem nas redes sociais, por lá vocês ficam sabendo tudo o que acontece por aqui e podem curtir outros conteúdos.

2 comentários:

  1. O único livro que li sobre vampiros foi Crepúsculo e a "vida" dos vampiros não era o tema principal e sim o romance, então não tenho uma ideia muito bem construída sobre eles, gostei da resenha!
    Só o que me deixou um pouco na dúvida foi o que você falou sobre o ritmo do livro, eu sou um pouco distraída e isso pode atrapalhar um pouco, mas quem sabe né?

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  2. Obrigado mesmo pela generosa resenha! Fico feliz que o livro tenha lhe trazido boas experiências!

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