21 de jun de 2017

Girlboss | Uma crítica livre... muito livre



Girlboss estava por ai, sendo divulgada como uma série empoderadora, uma grande representação da nossa geração e uma história que mostra a força de vontade de uma jovem em busca do seu sonho, mas se tem uma coisa que posso falar com toda certeza nessa resenha é: não é, não. A série da netflix que eu mais demorei pra assistir, apesar da facilidade com que poderia ter acabado seus episódios, tem pontos positivos e uma quantidade talvez maior de negativos. Seja culpa da forma como foi vendida ou por sua protagonista nada aturável, Girlboss não consegue ser a série que prometia ser.

Antes de qualquer coisa vamos deixar claro aqui: Eu não li o livro e só conhecia a Nasty Gal de nome mesmo, então tudo o que eu falar aqui são opiniões sobre a série e o que ela me passou.


"A seguir, uma releitura livre de eventos verdadeiros...
muito livre."

Muitos episódios dessa primeira temporada de Girlboss começam com o aviso acima e se tem uma coisa na qual queria acreditar durante a série era nessa simples frase, afinal durante os 13 episódios do show conhecemos e acompanhamos uma protagonista egoísta, oportunista, anti-ética e que acabei desejando com toda força não ser nada parecida com a Sophia que podemos considerar como sendo a real.

Se tinha um ponto que chamava minha atenção para a série era a chance de falar sobre empreendedorismo acompanhado de muitas doses de girl power, mas logo de primeira somos apresentados a uma protagonista arrogante e mesquinha, não que ela precisasse ser perfeita para mostrar tudo isso, mas a série chega até mesmo a mostrar a personagem roubando e fazer parecer apenas um tipo de rebeldia da parte de Sophia, ela não tem um caráter nada confiável e a série nem mesmo tenta criticar essa situação de alguma forma.

Sophia é vendida como uma personagem que cresceu e fez seu sonho funcionar sozinha, mas a verdade é que mesmo tendo rejeitado a ajuda do pai - por pura falta de humildade e não por querer crescer sozinha, é preciso dizer - ela tinha a quem recorrer caso tudo desse errado, ela podia arriscar, privilégio que poucas pessoas tem.


A série que é divulgada como feminista e empoderadora, pouco disso tem. Sabe quando alguém quer muito se fazer algo e repete umas frases clichês que você já ouviu umas mil vezes? Essa série é exatamente assim e nada disso cola com quem ta assistindo. Na série existe até mesmo uma cena especifica onde Sophia e seu namorado, Shane, são abordados na rua por uma feminista que é retratada de forma caricata e depois acaba sendo ridicularizada pelo casal. Sophia é egoísta e não existe empatia da parte dela, seja a pessoa uma mulher ou não.

Além disso, até mesmo sororidade está em falta, o único relacionamento forte o suficiente que a protagonista tem com uma mulher é sua amizade com Annie, que vive um relacionamento abusivo sem nem perceber. Sophia faz de sua vida seu show e não liga para qualquer sentimento que não venha dela, Annie faz tudo o que pode por sua amiga, a ajuda com seu sonho e tudo o que recebe de volta é ingratidão, gritos e muitas reviradas de olhos - que sejamos sinceros, é o que Sophia faz em grande parte de seu tempo em cena.


Ok, ta cheio de pontos que podiam ser melhores na série, mas vamos aos que já estão bem bons: a trilha sonora é muito boa, você assiste a série e ama as músicas porque elas estão ali onde deviam estar, existem no momento em que deviam na série e conseguem ser fantásticas.

O figurino é M-A-R-A-V-I-L-H-O-S-O, Girlboss é uma série sobre o surgimento de um império da moda que nem fala tanto assim sobre moda, mas que deixa claro nos figurinos que os personagens entendem do que não estão falando. Sophia começou com a "Nasty Gal Vintage" antes de ser "Nasty Gal" e por isso temos um grande número de referencias aos anos 70, tanto nos figurinos quanto nos cenários, o que faz a composição das cenas que assistimos ainda melhor.

Annie é o lado bom de Sophia. Mesmo vivendo, com pessoa que chama de melhor amiga, um relacionamento que não ta legal para um dos lados, ela ama Sophia e a ajuda de todas as formas possíveis, ela faz "Nasty Gal" crescer tanto quanto a amiga faz e mesmo depois de uma situação em que Sophia mostra toda sua ingratidão, ela volta e mostra seu melhor.

No fim Sophia tem lá sua redenção. Não é uma grande mudança e nem deixa claro que ela mudou de verdade, mas a protagonista perde tudo o que tinha por causa de seu jeito e seus defeitos, tira um tempo pra ela e acaba conseguindo seu sonho de volta indo atrás dele da forma certa - claro que com ajuda e mostrando um pouco da arrogância restante no caminho.


É tudo isso que tinha pra falar da série, mas é claro que é tudo só a minha opinião, não aconselho aos que ainda não assistiram a desistirem, as pessoas assistem séries de formas diferentes e não existe culpa em gostar do que outra pessoa não gostou tanto assim. Então, se você já assistiu deixa aqui o que achou e se ainda não assistiu e ta muito afim, vai lá assistir e depois volta aqui pra falar se concorda comigo ou não. Ah, não esqueçam de seguir o blog e nossas redes sociais, tem coisa boa por aqui o tempo inteiro, prometo.

2 comentários:

  1. a Sophia é um personagem difícil de engolir mesmo, mesquinha, chata, arrogante, eu gostei da série, em parte, como figurino, fotografia e algumas atuações, mas como exemplo de vida acho que passa longe, mas cabe a cada um tirar o melhor pra si né, adorei o post

    Blog Entre Ver e Viver

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Caroline concordo com você, acho que a série tem muitas coisas para gostar, assim como disse ali tem coisa que chega a ser quase perfeita de tão bem feita na série, mas Sophia foi o ponto que não engoli de jeito nenhum e ela é a protagonista, tem ela em tudo e mais um pouco na série e daí ficou difícil não falar de tantas coisas que não curti. Obrigada pelo comentário, pela visita e pelo carinho, fico feliz que tenha gostado do post.

      Excluir

Segue o Página 394

Twitter

Nosso instagram